quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Caçadora de gritos


Só me apetece gritar em cima das costas do mundo e roubar-lhe o vento... Saltar para o seu dorso, fechar os olhos e ouvir-me a gritar. A soltar a minha voz, a vós! Pedir à minha estrela que me abrace e me ajude a amanhecer, no dia seguinte.
Estou cansada. Sinto-me morta por dentro e por fora. Mas a verdade é que há qualquer coisa cá dentro que ainda não morreu. Vive, calada e escondida, à minha espera! Com a leve, ténue esperança de que eu volte. De que eu continue. De que eu viva outra vez.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Que seja eu em prosa! Ou em poesia!

Do muito que tenho escrito em Coimbra
(Fotografia da minha autoria. Por favor, não a utilizar sem autorização prévia.)
Esta noite vou escrever até cansar as palavras! Vou escrever até não poder mais, até os meus dedos implorarem por repouso. Vou escrever sobre mim, sobre a chuva, sobre a cidade, sobre os outros e sobre mim outra vez! 
Vou ficar acordada à espera dos pensamentos, das memórias e quimeras. 

Pela primeira vez, vou escrever para mim e para o meu sonho! Que seja espontâneo aquilo que cair com tinta sobre o papel. Que seja verdadeiro e não apenas mais (um pedaço de) uma história mais ou menos inventada... Que seja eu em prosa! Ou em poesia! Mas que seja eu. 

Depois de o escrever, lê-lo-ei. E aí será como ter um espelho à minha frente.Ver-me com os meus olhos, mas através de palavras! E sei que aquilo que penso que vou ver é totalmente diferente daquilo que realmente vou ler e deveras diferente daquilo que os outros vêem em mim! Mas não me vou importar! Preciso de saber o que penso, como penso e porque o penso! Só assim me posso conhecer.

Esta noite vai ser assim até que a alvorada me faça parar. Esperarei pelo nascer de uma luz que me acorde deste sono que é meu! 

terça-feira, 18 de novembro de 2014

E é a amar assim...

Março de 2013
(Fotografia da minha autoria.)
E é a amar assim que me enterro na perfeição da felicidade. Sem ti eu não seria mais do que um daqueles corpos que vagueiam pela sombra dos outros e fazem do tempo um passatempo ridículo e inútil! Seria alguém sem uma pessoa dentro desse alguém! É a amar assim que consigo viver cada dia como vivo, sorrindo para o dia e para a noite, guardando o sol no meu bolso e acolhendo a chuva no meu regaço. 
Vim, sozinha, só contigo no mítico segredo do coração humano. Só contigo!
Estou aqui, hoje, novamente só. E tu, apesar de ausente, roubas-me a memória!
É a amar assim que pinto e escrevo a minha pessoa e a minha caminhada. É assim que faço de mim quem sou. Não és tu que me moldas. Não sou barro! Mas é a visão que me dás de ti que me faz amar como amo. 
Há voar e voar... Há voar e amar. 
Ensinaste-me a voar, quando as minhas asas ainda não tinham penas e quando a vida para mim era inquestionável. Aperfeiçoaste as inúmeras falhas do meu vôo, cheia de paciência abençoada. Falhaste! Foste o meu molde, mas falhaste! Mas descansa, porque todos falham! Falhaste ao mostrar que eu era capaz de tudo, se acreditasse! E era mentira. Eu não sou capaz de tudo, muito menos de acreditar. Acreditar que o impossível e o impensável podem acontecer é absurdo. Falhei. Falhei numa proporção infinitamente maior que tu! Tu não me devias ter feito acreditar em sonhos e eu não devia ter acreditado na sua existência. Ambas falhámos a acreditar com amor e já não há nada a fazer! O passado está passado e o futuro está a nascer neste preciso momento. E agora sim, ACREDITO que sou eu que o faço, apesar de tudo o que já aconteceu! Aprendemos que acreditar com amor não é correcto. Há que acreditar no mundo do possível com a nossa maior vontade de o concretizar!

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Adeus


Digo-te adeus agora
Porque tenho de crescer
E chegou a hora.

Tenho de saber viver
Com os adeus porque
Eles fazem parte deste
Sopro alheio que respiramos.

Já te prendi comigo
Demasiado tempo!
Não percebi que tinhas
De ir. De partir.

Estavas comigo o tempo
Todo e não me dizias que era
Hora. Hora de esperares por
Mim lá onde tens de esperar.

Lamento ter demorado
Tanto tempo para te
Libertar deste peso que é
A minha vida para ti!
Assim, de ti me despeço,
De ti me separo de vez!
Adeus!
Adeus!

sábado, 1 de novembro de 2014

O preto também é uma cor


Hoje, digo que Coimbra foi a melhor coisa que me aconteceu!
Fez-me sentir bem comigo. Não me lembro da última vez que cantei, que gritei, que ri e que sorri de cabeça erguida. Não me lembro de o conseguir fazer, sem pensar no resto. Não me lembro! Afinal, é possível «esquecer» o nosso negro com a ajuda dos que se tornaram nossa família! Mas aquele negro escuro e frio que estava sempre comigo foi desaparecendo e dando lugar a um preto suave e morno que se deixa clarear e formar outras cores. Estou cá há pouco mais de um mês e já não consigo imaginar como seria a minha vida se estudasse noutra (c)idade qualquer. Provavelmente, continuaria igual ao que fui sempre.  Não falemos disso... É passado, é para esquecer.
Hoje, sinto-me uma nova pessoa. Sinto que (re)nasci. Foi Coimbra que me deu à luz!