domingo, 31 de janeiro de 2016

Mundo Cinzento


Há falta de sonho,
Há falta de encanto!
O sonho de ser feliz,
O encanto de sonhar!

Almas tantas perdidas,
Sem vontade de viver,
Almas tantas esquecidas,
Esquecidas de amar!

sábado, 30 de janeiro de 2016

Biologia(s) (?)


Objectiva. Luz.
    A câmara permanecia estática, sem movimento, vibração ou qualquer outro factor que pudesse alterar aquele estado de serenidade, de perfeição na ausência de movimento. Esperava pelos momentos certos, pelos instantes únicos que existem no decorrer do tempo; pelo raio de luz solar que iluminava sublimemente a gota de orvalho cintilante que escorregava da folha verde para o chão; pelo bater compassado das asas de um beija-flor que, tal como o nome permite concluir, voa sobre jardins perfumados, dando beijinhos às princesas do baile primaveril.
    Impaciente, a câmara largou um som como um «click» e captou uma imagem quase digna de ser chamada perfeita. Nesse instante, toda a essência da (im)possibilidade da futura/passada refeição do camaleão ficara gravada na fotografia. Toda a imagem englobava uma certa complexidade nascida da Natureza, uma esquematização do ecossistema e das interações entre as espécies.
    Mas não só o ambiente foi captado! Também a temporalidade da acção permanecera naquela «tela». Não é bem nítida para os que olham apenas. É necessário ver! É aquilo que ajuda algo a ser o que é; um estado provisório; está presente em todo o lado ao mesmo tempo, quase como Deus – omnipresente – mas nunca como ele – Perfeito.
    Podemos verificar que o Tempo não é perfeito… por vezes tem demasiada pressa e comporta-se como uma criança, inclinando-se para o caminho oposto daquele que deveria ser seguido. A pressa traz consigo a imperfeição e, por isso, pedi ao Tempo que tivesse calma, para ser possível a aproximação (embora escassa) à perfeição. E ele, teimoso, insistiu, como sempre, em ter pressa!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Concebido pela Natureza - para os mais pequenos


- Eu sou o Vento que tudo leva, que tudo traz. O que varre os frutos velhos e podres dos ramos pesados das árvores do Outono. Aquele que sopra fria e violentamente no Inverno arrepiando almas e enregelando corpos. O mesmo dos furacões, tufões e outras tempestades. O que mata! O que dá a Vida! Na Primavera, sou a brisa, sou o sopro da renascença da Mãe Natureza, ressuscito os bolbos e faço rebentar as sementes de túlipas, violetas e jasmins. Abro as fendas dos casulos das borboletas. Sopro para que as nuvens negras e escuras como as trevas fujam da abóbada celeste, deixando as duquesas de capa preta e peito branco viajar de longínquas terras para outras. No Verão, sou aquele por quem todos anseiam por sentir na praia, levemente, respirando-lhes calma e suavemente para enganar o calor. Sou o Vento, sem corpo e sem alma, ninguém me vê, todos me sentem.

- Ando escondido atrás das nuvens com medo de me molhar nas estações frias do ano. Raramente apareço e quando o faço todos ficam radiantes. Sou a alegria no desenho de uma criança feito em papel com lápis, marcador ou aguarela. O companheiro afastado e fiel da Lua – o único e incomparável Sol!

- Gosto muito de ti, caro Sol, mas escondo-me para descansar enquanto brilhas e, quando brilho eu, escondes-te tu para repousar. Sou cúmplice de mochos, corujas, morcegos e lobos. Tenho imensas amigas como tu que me ajudam a iluminar a noite escura. Quando estou cheia, sou mágica – transformo homens em lobos e mulheres em sereias! O poder lendário concentra-se em mim. Sou mentirosa…aparento ser um C quando na verdade sou um D. Muito prazer, Lua!

- Sou a Vida deste planeta. Sem mim haveria Inferno. Estou em todo o lado. Vagueio por mares, rios, lagos e atmosfera. O nosso amigo Sol aquece-me e leva-me a viajar até aos céus azuis que transformarei numa tela triste, cinzenta. Dou a volta ao Mundo, faço chover e nevar, trazendo a alegria de construir um boneco com nariz de cenoura na época do Natal. Congelo cidades, vilas e aldeias, obrigando-as a acenderem as suas lareiras para aquecerem os seus corações. Percorro vales e montanhas e aí há quem me recolha! Sou, segundo Tales de Mileto, a arche, a substância primordial. Ando também em cometas e, à medida que me aproximo da grande estrela, vou evaporando. Sou um dos sinais do amanhecer - o orvalho caído sobre as ervas e a relva de um jardim perfumado pelas que ajudo a nascer. Muito gosto, Água!

- Sou um mistério nas minhas profundezas, um mar de vida nos corais e uma fonte imensa de tranquilidade. Bem-vindos ao Mar. Sou aquele que origina as ondas e as faz rebentar bruscamente nos Invernos tenebrosos. Sou o berço das pérolas cobiçadas pelas senhoras muito chiques. Escondo mitos e lendas como o Adamastor nas minhas entranhas. Banho um manto dourado, constante e compassadamente nas praias. Sou uma fonte de desejos e desabafos que ajuda muitos desgostosos – engulo garrafas de vidro para as ensinar a nadar nas minhas correntes tumultuosas, levando-as ao encontro do seu destino.

Insónia

Fotografia da minha autoria
    Ouço um silêncio que me assombra nesta noite. O tiquetaquear do relógio faz-me tremer e leva o meu estômago a dar sinais de ansiedade. O crepitar de objetos perdidos no quarto, as asas de uma mosca, o deslizar do carvão no papel, a minha voz baixa e trémula que se deixa sair cansada.
    Ouço-o com mais e pormenorizada atenção: um segundo relógio – o relógio de pulso – que está nas gavetas ao fundo do quarto, um carro ou outro que passam na estrada longínqua e um nada, um zumbido fino e oco que me atravessa a cabeça da direita à esquerda, de cima a baixo, sem deixar rasto na minha imaginação…
    Ouço os sonhos dos sonhadores, os pensamentos dos pensadores… Ouço as estrelas a brilharem, o sol a explodir, a lua a cantar e o universo a expandir. Ouço os buracos negro
s a sugarem a luz e o barulho inexistente do cosmos, as galáxias jamais conhecidas, outros buracos negros, mais luzes, mais estrelas, luas, sóis e planetas. Tudo! E, ao mesmo tempo, Nada!
    Ouço-me a mim, o som mais difícil de ouvir, mais difícil de chegar, de encontrar. De entender.
    Fiz-me gritar. Sem som.
    E sem som, ao gritar, consegui ouvir-me!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Um resto de mim


E vem o céu azul e beija-me o rosto. E vem o sol dourado e aquece-me o olhar. E vem o som do mar, das ondas fortes, cheias de vida e de histórias e escrevem a minha alma... porque a minha alma é feita da poesia daqueles que a sentem e a dão ao mundo. E, às vezes, vem a saudade que me aperta tanto e eu não consigo passar por cima dela. (...) Converso com o mundo e ouço o que ele tem para me dizer. Sussurro-lhe aos ares os meus sonhos e deixo-os nascer. (...) A minha silhueta jaz na areia molhada e iluminada enquanto que as lágrimas que tenho dentro de mim me afogam por dentro.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Quando...


Quando algo se parte, mesmo se se tentar colar os pedacinhos todos, nunca mais será a mesma coisa.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Não deixes a poesia morrer



Se a poesia nasce no coração, abre o teu peito para o papel. Deixa voar o que há em ti para as linhas ainda em branco e dá ao mundo a brisa rara das palavras que ele tanto precisa para respirar. Dá voz aos que estão calados, nas estantes, grita-lhes o seu nome, clama os seus versos incansavelmente até te faltar o ar no sangue. Lê, em voz alta, aqueles que te inspiram. Mais alto. Mais alto! Tens medo de quê? A poesia só te faz bem!
Se a poesia nasce no coração, abre o teu peito para o papel. Mas abre-o mesmo! Não tenhas medo de vozes, nem de pensamentos alheios. O que é alheio é lá com eles e tu não lhes pertences. Tu pertences a ti e ao teu mundo! Lê, escreve, reescreve, grita até, mas não deixes a poesia morrer. Não deixes os versos caírem no poço do esquecimento! Eles foram escritos para serem lidos, questionados, compreendidos, mas não para serem esquecidos!
Abre o teu peito e deixa-o sentir-se livre e confiante na pureza das folhas de papel. Não deixes, por favor, a poesia morrer!

sábado, 16 de janeiro de 2016

(L)ESTES


Já vos tinha falado do jornal (L)ESTES, da minha faculdade, por aqui.
Deixo-vos o link para a versão digital, se tiverem curiosidade! Estão disponíveis edições anteriores também!
Cliquem aqui: (L)ESTES

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

TUNA D'ESTES

A minha tuna do coração... Não é só por serem da minha faculdade, mas eles têm talento, e não é pouco! São incríveis e deixam-me sempre arrepiada! Conheçam-na (nenhuma fotografia, nem vídeos são de minha autoria):